Quando falamos em dentista numa roda de amigos, a primeira que coisa que ouvimos é: “nossa eu morro de medo”, “dentistas são assustadores”, “aquilo é uma tortura”, “tenho pavor à anestesia”. Não tenho os números exatos, mas acredito que quando tocamos nesse assunto, estas são algumas das respostas de 90% das pessoas, incluindo os próprios profissionais de odontologia. Esse tipo de comentário é definido ou instalado depois de uma vivência desagradável no consultório odontológico. Algumas vezes, podemos afirmar, que esse sentimento do medo de dentista é condicionado pelos próprios pais quando dizem à criança que a levarão ao dentista se não forem obedientes, educadas ou estudiosas, criando nesta uma crença de que dentista é sinônimo de punição ou tortura.

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Atender pacientes com medo de dentista, do “motorzinho” ou de seus procedimentos clínicos, é quase uma rotina diária na vida dos profissionais de odontologia. Mas essa realidade, que algumas vezes atrapalha e outras até impede os tratamentos odontológicos, pode melhorar. Depois de alguns anos presente em clínicas e consultórios da Europa e dos Estados Unidos, a hipnose volta a surgir no Brasil como uma excelente ferramenta coadjuvante de trabalho para o dentista.

Diferente do que muita gente pensa, a hipnose é um procedimento cientificamente fundamentado. Ao longo da história, tem sido muito utilizada em psicoterapias para diversos tipos de tratamentos e objetivos. Na odontologia, a hipnose pode, em muitos casos, diminuir o stress e a ansiedade, substituir as anestesias e diminuir os sangramentos e a salivação, facilitando muito o tratamento e promovendo uma experiência mais agradável e confortável ao paciente.

No Brasil, a utilização da hipnose é autorizada e reconhecida aos cirurgiões-dentistas através da Lei nº 5.081, de 24/08/1966 no decreto nº 68.704, de 03/06/1971, que regula o exercício da Odontologia, e na resolução nº 82 publicada no Diário Oficial da União de 01/10/2008 seção 1 pag.105 capítulo IV, que normatizou a Hipnose, entre outras práticas integrativas e complementares à saúde bucal, permitindo ao cirurgião-dentista utilizar da hipnose na sua prática clínica desde que comprovadamente habilitado e quando constituírem meios eficazes para o tratamento. Para isso, começam a surgir cursos de hipnose direcionados para os profissionais da Odontologia, focando sempre no bem-estar dos pacientes.

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Cirurgia Odontológica com Hipnose – Clique para ler o artigo

A hipnose é um estado alterado de consciência, intermediário entre o sono e a vigília. Nesse estado, o lado direito do cérebro, que trabalha a imaginação e a criatividade, é ativado, enquanto o lado esquerdo, mais racional e lógico, se relaxa, afastando o senso crítico e fazendo com que a mente consciente permita a indução, deixando que a mente inconsciente se manifeste.

Com uma voz, algumas vezes, monótona e repetitiva do hipnotista, o paciente alcança o estado hipnótico ou transe. Um ambiente calmo e tranquilo é essencial para que o atendimento seja eficaz e relaxante, ajudando no processo de indução e entrada do transe. Com o uso de técnicas específicas, as ondas cerebrais do paciente passam do estágio beta (da vigília) e atingem o estágio alfa da hipnose, que é  quando o hipnotista pode sugestionar o paciente. Dessa forma, consegue sugerir à mente hipnotizada, que determinada parte do corpo está anestesiada ou sem qualquer tipo de incômodo ou desconforto.

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Realizar uma anamnese detalhada nos pacientes antes de recorrer à hipnose é essencial e indispensável. Aqueles com história psicótica, esquizofrenia, retardo mental ou que tenha a realidade mal estabelecida, não devem ser hipnotizados. Crianças abaixo de 4 anos e idosos que não tenham muita atividade intelectual, também compõem um público para o qual a hipnose é contra-indicada.

Apesar do medo de dentista, alguns pacientes, também tem medo ou receio da hipnose. Por isso, é indicado que o profissional procure sempre desmistifica-la, deixando o paciente tranquilo e bem esclarecido sobre o assunto. Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, ninguém faz sob hipnose nada que não faria se não estivesse hipnotizado. Além disso, por questões éticas, nenhum profissional pode utilizar a hipnose sem o conhecimento ou autorização do seu paciente.


foto Sobre o autor
DIEGO WILDBERGER é cirurgião-dentista, hipnólogo, hipnotista, Formado pelo Instituto Rogério Castilho, Membro da Sociedade Ibero Americana de Hipnose Condicionativa e Filiado ao Instituto Brasileiro de Hipnologia. Atua em Salvador/BA com odontologia e hipnose clínica, além de manter o site Hipnose Salvador: www.hipnosesalvador.com.br.
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