Escrito por Luyde Gomes

Publicado no Blog Cafuné da Bahia em 03 de Janeiro de 2015

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Sabe quando você começa a suar frio, sente o coração acelerar e até dor de barriga? Parece paixão, não é?! Mas, ao contrário da paixão, é um estado desesperador do pânico. É a sensação que algo terrível irá acontecer, mesmo que você já tenha passado, diversas vezes, por isso. Pois é, era exatamente assim que eu me sentia toda vez que pensava (sim, apenas pensava) em dirigir. Eu tentei de tudo, até me matriculei em uma escola especializada em medo de dirigir…medo era pouco, mas lá fui eu! Nada surtiu efeito. Foi com o nascimento do meu filho que comecei a mudar esse cenário. Foram pequenos passos, mas que, pelo menos, me conduziram à grande vitória de dirigir sozinha. Entretanto, o pânico, apesar de existir em menor escala, permanecia e me impedia de avançar na prática da direção.

Foi então, que descobri a hipnose, através do Dr. Diego Wildberger. Bom, em outro cafuné eu vou contar mais sobre meu pânico de dirigir, tudo que passei e detalhes da minha experiência com a hipnose. O que posso adiantar é: venci o pânico! O Dr. Diego é cirurgião-dentista e hipnoterapeuta com diversos certificados e palestras internacionais. Aonde ele atende? Em Salvador! Sim, é da terra! É da Bahia!

Então, se você deseja mudar sua vida e ser mais feliz, leia esse bate papo e saiba tudo (tudinho, mesmo!) sobre hipnose. Você vai deixar de lado todos os mitos absorvidos em apresentações de rua, palcos ou filmes. Sabe aquele reloginho antigo, balançado na sua frente, com o terapeuta dizendo: “Durma, durma”? Esqueça! O título deste cafuné parece, mas não é nada apelativo. Com hipnose você pode, realmente, direcionar seus pensamentos para uma vida mais positiva e feliz.

A conversa foi muito detalhada, pois é importante esclarecer todos os mitos e dúvidas a respeito da hipnose. Então, reserve um tempinho para ler tudo! Se não conseguir finalizar a leitura no primeiro acesso, retorne ao blog e leia novamente quando possível. Vale a pena!

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Fotos: Fabio Bouzas

Luyde Gomes: A pergunta que deve ser, sempre, a primeira nas suas entrevistas: o que é hipnose?

Diego Wildberger: Vamos lá! Hipnose nada mais é do que um estado de hiperconcentração em alguma coisa. É um estado alterado de consciência, é um estado de consciência expandida, é um estado especial de consciência…cada autor vai dá uma definição diferente para o que é hipnose. O termo de hipnose, na verdade, surgiu quando James Braid, um psicólogo e médico britânico, percebeu nas pessoas, que ele levava ao transe, o aspecto de que estavam dormindo. Então, ele criou o termo hipnose por conta do deus grego Hipnos; Hipnos: deus do sono – hipnose. Depois ele se arrependeu, mas o termo já tinha pegado e não tinha mais como voltar atrás. Hipnose é uma hiperconcentração em algo…vamos supor, quando você dirige, em algum momento da sua vida você já se pegou no automático? Você queria ir para um lugar e quand percebeu você estava indo para outro? Por exemplo: “Cara, eu entrei no automático. O que eu estou fazendo aqui?”. Nesse exato momento quem é que estava dirigindo o carro? Você estava em um estado alterado de consciência, não estava num momento presente, estava sonhando acordado, estava pensando numa conta, pensando numa viagem, qualquer coisa que tirasse a concentração daquele momento. A sua mente inconsciente, por ter feito aquele caminho tantas vezes, falou: “Opa! A Luyde não está aqui, ela está sonhando acordada com alguma coisa, então eu pego aquele caminho que eu já sei fazer”. E aí a você entra no automático. Nesse curto momento, entre começar a sonhar acordado e se perceber no automático, você estava em transe.

Luyde Gomes: A palavra sono ter sido vinculada ao termo hipnose, então, não caracteriza corretamente ao estado de sono?

Diego Wildberger: Não. Hipnose não é sono. Se a gente for parar para pensar, existem outras linhas de estado alterado de consciência ou dita concentração em alguma coisa. Meditação, você se concentra na respiração, você se concentra em um mantra, você entra num transe. Ioga, você entra num transe. Qualquer coisa que tenha monotonia, tenha ritual, faz com que a pessoa entre em transe naturalmente, porque é inato do ser humano. Então, a hipnose, na verdade, é um estado entre as vigílias e o sono. Não sei se já aconteceu com você, de estar dormindo e de repente pensar: “Eu estou dormindo ou estou acordada?”.

Luyde Gomes: Acho que todo mundo já passou por isso.

Diego Wildberger: Exatamente. E nesse exato momento, quando a gente percebe que está neste estado, não sabe se está dormindo ou acordado, e começa a controlar o sonho, começa a tomar algumas decisões e quando percebe que realmente está controlando tudo, você acorda. Esse exato momento, “estou dormindo, estou acordado”, você está em transe, você realmente não está nem dormindo nem acordado, você está ali no meio onde tudo é possível. Então, quando a gente começa a perceber que está delirando coisas impossíveis, ou vivendo situações impossíveis passadas ou futuras, tendo uma possível previsão do que poderá acontecer, a gente desperta. Porque a gente estava começando a se dar auto sugestões, estava começando a praticar auto hipnose de forma natural e sem conhecer técnicas para isso. 

Luyde Gomes: Existem níveis diferenciados de estado de hipnose? Alguém pode estar mais ou menos hipnotizado?

Diego Wildberger: Existe a sensibilidade de cada um que varia de pessoa para pessoa, do ambiente que ela foi criada, das crenças dela, da cultura dela. Por exemplo, as pessoas no mundo oriental, os indianos, os chineses, os japoneses são mais hipnotizáveis do que as pessoas do mundo ocidental, porque já faz parte da cultura deles, eles já praticam a meditação, eles já praticam ioga. Então, eles já estão, frequentemente, em estado alterado de consciência. Logo, para entrar neste estado, que a gente chama de hipnose, para eles é muito mais fácil. De forma genérica nós podemos dizer que a hipnose tem cinco níveis: o nível hipnoidal, o nível leve, o nível médio, o profundo e o sonambúlico. Cada pessoa entra num nível diferente e claro que, com prática, é possível atingir níveis cada vez mais profundos de transe.

Luyde Gomes: O sonambúlico é um estado mais que profundo? Explica melhor sobre este estado.

Diego Wildberger: Seria muito profundo. O sonambúlico não tem nada a ver com o estado de sonambulismo do sono, ok?! É apenas um nome que foi dado para o estado que a pessoa está, é um estado tão profundo de transe, um estado de relaxamento tão bom, que colocaram como se ele fosse realmente sonambúlico. Essas pessoas ditas sonambúlicas geralmente são mais emotivas e mais sugestionáveis. Se fecharmos nossos olhos, já estamos no nível leve. O nível hipnoidal é quando os olhos começam a borboletear, começam a tremer as pálpebras…isso é involuntário. Aquela pessoa que aceita muito a sugestão do outro, quando vai comprar alguma coisa, ela compra, não sabe porque comprou e depois ela se arrepende…é altamente hipnotizável, porque, naquele momento que ela realizou a compra, a emoção dela falou mais alto. Quando nossa emoção fala mais alto, a nossa razão cala a boca e nesse momento a gente fica mais suscetível a sugestões. Então, os emotivos, pintores, cantores, artistas, atores, escritores…

Luyde Gomes: O nível intelectual influencia?

Diego Wildberger: O nível intelectual influencia porque a pessoa entende melhor como funciona e se permite melhor, entrar em hipnose é simplemente saber compreender e seguir sugestões simples. Então, voltando ao emocional, todos esses pintores, cantores, artistas no geral, escritores, para que eles possam realizar de maneira perfeita o trabalho deles, eles precisam entrar num estado de transe, eles precisam trabalhar a emoção deles e por isso eles se tornam mais suscetíveis a entrar em transe, porque o lado direito do cérebro, que é responsável pelo lúdico, pela fantasia, é que, naquele momento, está tomando conta. E já o contrário também, as pessoas que são mais lógicas, são mais racionais, tendem a ter um pouco mais de dificuldade de entrar em transe. Não significa que elas não sejam hipnotizadas, elas são, mas leva um pouco mais de tempo para serem condicionadas a entrar em transe, porque elas estão o tempo todo querendo entender, como é que isso funciona, por que isso está acontecendo. Quando elas entram em transe, uma coisa que acontece e que é muito legal, é que elas começam a entrar em conflito, porque o cérebro direito está falando: “Ah, relaxa! Isso é muito bom!” e o lado esquerdo fica: “Mas, como assim? Como é que isso é possível?” e o lado direito fala “Relaxa! Deixa isso pra lá.” e o lado esquerdo fala: “Mas eu quero entender como isso funciona.” e ela começa a rir, ela começa a despertar porque toma um susto no início.

Luyde Gomes: Indo nessa linha que você está relatando, crianças podem ser hipnotizadas?

Diego Wildberger: Crianças são hipnotizadas de natureza. A maior fase de sensibilidade à hipnose vai até os nove anos. Qualquer criança que assiste um filme, desenho animado, quando termina aquilo, ele vira o personagem principal, o filme termina ele vira aquele personagem, ele começa a agir como aquele personagem, ele tem falas daquele personagem. Elas já vivem no mundo da lua. As crianças que estão entre os 4 até os nove anos são muito fáceis de hipnotizar. Depois dessa idade ela começa a desenvolver o crítico, ela começa a desenvolver o racional, ela começa a perguntar os por quês: ”Como é que isso funciona?”, “Por que isso funciona?”, “Por que, por que, por que…”, aí o nível de sensibilidade dela vai diminuindo. Porém, uma criança que é altamente hipnotizável é um adulto altamente hipnotizável e é um idoso altamente hipnotizável.

Luyde Gomes: Tem uma fase que a criança quer ver o mesmo desenho ou o mesmo filme várias vezes. É como se ela estivesse sendo hipnotizada por aquela magia do filme?

Diego Wildberger: Exatamente. Ela está entrando naquela história do filme, está vivendo aquele filme, está sentindo as emoções do filme, ela chora com o personagem, ela ri com o personagem, ela grava as falas do personagem que ela gosta, então, ela assiste várias vezes para viver aquilo ali várias vezes porque é gostoso pra ela.

Luyde Gomes: Quais problemas podem ser tratados pela hipnose? O que você poderia citar pela sua experiência em consultório?

Diego Wildberger: Na literatura a gente encontra vários tipos de problemas tratados com a hipnose, porque a hipnose não cura nada, a hipnose lhe dá o controle, ela alivia os sintomas, ajuda a ressignificar momentos traumáticos. Então, na minha prática clínica, a gente tem tratado ansiedade, depressão, fobias, traumas, parar de fumar, controle de peso, fobia social, a timidez, entre outros. Tudo isso a gente vem trabalhando no consultório. Na linha médica, da saúde, a hipnose pode melhorar a cicatrização de uma cirurgia, pode melhorar a eficácia do sistema imunológico de uma pessoa, pode ajudar pessoas com doenças autoimune, pode funcionar como anestesia local ou geral e pode ajudar no controle da dor crônica ou aguda, pessoas com fibromialgia, síndrome da língua ardente, neuralgia, entre outros.

Luyde Gomes: Como funciona essa relação da dor com a hipnose? Entendo que envolve o controle da mente que você está explicando, mas, realmente, a pessoa não está sentindo dor no momento do transe ou ela está, apenas, sabendo controlá-la?

Diego Wildberger: Quando a gente sente dor é porque recebemos um estímulo, esse estímulo é passado para o nosso cérebro e é processado pelo nosso córtex cerebral. Quando nós estamos em transe, a parte responsável por interpretar esse estímulo está desligado, então, o estímulo da dor não é processado, a pessoa sente a pressão, sente o toque, mas, o estímulo da dor é eliminado. Com a hipnose também existem algumas técnicas que a gente utiliza para provocar a anestesia. Então, realmente, através de sugestões, através das técnicas, nós conseguimos provocar um efeito anestésico naquela pessoa. Nós podemos dar uma injeção, fazer uma cirurgia, colocar um implante dentário, fazer uma biopsia, fazer uma curetagem vaginal, realizar um parto…porque, simplesmente, o transe hipnótico aumenta o limiar de dor da pessoa. Se associada a técnicas de hipnoanestesia esse limiar de dor é aumentado ainda mais e se associado à anestesia química ou sedação por óxido nitroso, aumenta muito mais. Claro que, nesses casos, a quantidade de anestesia química e sedação inalatória, que seria utilizada, seria muito inferior ao que seria utilizada em pacientes sem hipnose. Então, os benefícios para o paciente são muito grandes, porque a gente deixa de injetar drogas no paciente…isso é muito legal. 

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Luyde Gomes: E o que não pode ser tratado com hipnose?

Diego Wildberger: Não é que o que não pode ser tratado, é preciso ter alguns cuidados e cautela assim como em qualquer área da saúde. Os pacientes com autismo, com síndrome de down…precisam de um cuidado especial. Não é todo profissional que consegue levar um paciente desse ao transe, é preciso fazer até uma linha de pesquisa especializada nesses pacientes. Pacientes com Alzheimer e Parkinson, dependendo do nível de avanço da doença, e pacientes com esquizofrenia.

Luyde Gomes: A Esquizofrenia é uma doença que envolve muito a mente. Então, a hipnose não poderia piorar esse estado?

Diego Wildberger: Então, a pessoa esquizofrênica ela já vive em transe, ela vê pessoas imaginárias, ela ouve pessoas imaginárias, ela conversa com essas pessoas, ela vive num mundo expecífico dela. Para um profissional aplicar uma técnica de hipnose num esquizofrênico é preciso ter cuidados específicos para que o está sendo trabalhado em consultório não vire uma realidade pra o paciente, pra que o paciente não tenha um surto, e controlar o surto de uma pessoa esquizofrênica sem domínio de técnica é muito difícil e para isso é preciso ter o acompanhamento de um psicólogo e um psiquiatra nesse tratamento. A grande maioria dos estudos que eu fiz, dos artigos lidos, livros, etc, os autores não recomendam utilizar hipnose com esquizofrênico. Agora, cada profissional é um profissional (risos!).   

Luyde Gomes: Quais problemas são mais comuns no seu consultório?

Diego Wildberger: Ansiedade, depressão, parar de fumar e perder peso são os que chegam mais. Como eu sou dentista, também chegam alguns pacientes que tem medo do dentista, que tem medo do barulho do motor, que tem medo da broca, da agulha, de sangue. Então, a gente acaba trabalhando, também, essas fobias específicas para promover uma qualidade de vida, um relaxamento melhor para o paciente dentro do consultório odontológico. 

Luyde Gomes: Eu estava pesquisando e a quantidade de sessões que uma hipnoterapia necessita para obter resultados é significativamente menor que uma terapia convencional. Como você explica essa rapidez no processo da hipnose?

Diego Wildberger: Quando a pessoa está em estado de hipnose o critico dela está afastado, a mente analítica dela está afastada e ela fica mais suscetível a sugestões. Quando você está em uma loja quer comprar uma roupa, um vestido novo, um carro…a nossa emoção, ali, está falando mais alto: “Quero! Preciso disso!”. E quando você imagina como vai estar com aquela roupa nova, com aquele carro novo, as emoções começam a falar mais alto ainda. Nesse momento o seu critico está afastado e a sugestão entra com mais facilidade. Na hipnose, no consultório terapêutico, é da mesma forma, quando a gente leva uma pessoa ao transe, o crítico dela está afastado. Então, as sugestões voltadas para o que a pessoa quer, para os benefícios que ela quer alcançar, com a hipnose entram com mais facilidade e a aceitação é maior, por isso que o tempo de tratamento é menor. Quando um paciente chega em meu consultório e fala: “Ah, eu tenho ansiedade, eu tenho depressão”, eu pergunto como é que você quer se sentir, as pessoas geralmente falam como elas não querem se sentir: “Ah, eu não quero me sentir nervosa, eu não quero me sentir ansiosa”.

Luyde Gomes: E o “não” fica na cabeça.

Diego Wildberger: Depende do não, se eu disser para você: “Não pense no elefante cor-de-rosa”.

Luyde Gomes: Já era, já pensei! (risos!)

Diego Wildberger: Então, depende de como o não é utilizado, neste caso do elefante cor-de-rosa o não desaparece, deixa de ser processado. Então as pessoas, geralmente, dizem o que não querem e por esse princípio, “não pensem no elefante cor-de-rosa”, a pessoa fala “eu não quero me sentir ansiosa”. O que fica na cabeça é: “quero me sentir ansiosa”. “Eu não quero estar depressível” e fica “quero estar depressível”. Quando chegam no consultório eu pergunto, o que você quer? Como você quer se sentir? Como seria sua vida depois que tudo isso estivesse resolvido. E a própria pessoa me dá as respostas: “Ah, eu seria uma pessoa mais feliz, ah, eu seria uma pessoa mais extrovertida, eu conseguiria um emprego novo, eu passaria a me cuidar melhor”. Então, essa informação adquirida é utilizada dentro dos centros terapêutico como sugestão enquanto ela está em transe, pois é o que o paciente busca e quer, para a gente ter um resultado mais rápido.

Luyde Gomes: Existe um problema que precise de mais tempo do que outro? 

Diego Wildberger: Isso varia muito de pessoa para pessoa. Eu tive clientes que pararam de fumar com uma sessão, eu tive pacientes que pararam de fumar com três sessões, eu tive pacientes que não pararam de fumar depois de cinco sessões. Por quê? Primeiro, a pessoa precisa querer. Se ela vai buscar um tratamento como forma de desculpa, não vai funcionar. Então, quando ela vai falando, por exemplo: “Eu quero melhorar o cigarro, eu quero parar de fumar”, então nós vamos trabalhar no tripé para parar de fumar: a dependência química que o cigarro provoca, o vício motor que o cigarro provoca e a dependência psicológica do cigarro. Quando a gente trabalha esse tripé somado à vontade da pessoa em parar de fumar a gente consegue condicionar novos comportamentos, pensamentos e sentimentos para que ela deixe de fumar e até criar aversão ao cheiro do cigarro, ao gosto do cigarro. Só pensar em cigarro, ela começar a passar mal. Então, é possível a gente fazer isso.

No caso do controle de peso, por exemplo, não é só a hipnose que vai trabalhar, a gente precisa de um tratamento multidisciplinar que vai envolver nutricionista e atividade física. Então, se o paciente não está disposto a fazer atividade física e reeducação alimentar não vai obter um resultado de perda de peso. A hipnose vai aumentar a autoestima, a força de vontade, vai fazer com que ela se sinta com aquele objetivo alcançado e isso é o que faz, também, para acelerar e fazer com que as pessoas alcancem o objetivo tratamento. Então, como depende de pessoa para pessoa você pode ter resultado em apenas uma sessão, por exemplo, ou em 5,6 sessões, depende muito do real comprometimento e vontade em mudar do paciente.

Em Portugal, durante um curso, eu perguntei: quem aqui tem medo, fobia de alguma coisa? E um aluno falou que tinha medo de rato. Aplicamos uma técnica rápida durante o curso e quando fomos almoçar no shopping, tinha um pet shop com uma jaulinha de ratos. E naquele momento ele falou: “Eu vou pegar um rato”. Eu falei: “Vai lá!” Aí ele foi e pegou o rato. Depois, ele me mandou uma mensagem no Facebook com uma imagem dele com ratos: “Eu tinha medo desse bichinho”…no passado, “eu tinha”. Ele tinha medo desses ratos maiores, então ele foi procurar ratos maiores para testar a fobia dele. E o mais legal foi que ele se livrou da fobia e depois mandou a foto com os ratos grandes para mim confirmando o resultado e eficácia da técnica.

Assim como ele, algumas pessoas conseguem ter um resultado muito rápido e outros a gente precisa de, em média, quatro a cinco sessões para ter um ótimo resultado. 

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Luyde Gomes: Quais são as etapas de um tratamento com hipnose?

Diego Wildberger: Vamos imaginar um bombom sonho de valsa, a hipnose é o involucro, é aquela casquinha crocante de chocolate de fora, e como a gente vai conduzir a terapia está por dentro desta casquinha, na massinha de avelã. Então, se a gente vai criar um condicionamento novo, se a gente vai moldar um ato, tudo que está na terapia é utilizado dentro do estado de hipnose. Ok?! Quanto as etapas, a primeira coisa que a gente faz é marcar uma entrevista clínica. Nessa entrevista clínica eu vou conhecer a pessoa, entender melhor o que ela quer, por que ela está procurando o tratamento com hipnose, o que que ela já fez antes para trabalhar isso, se ela usa alguma medicação, se não usa, se ela tem algum problema de saúde, se não tem. O que ela espera do tratamento, ou seja, o que ela quer alcançar com o tratamento e avaliar a rapidez e velocidade com que ela entra em transe. Fazer alguns exercícios práticos no momento para ajudá-la a entender como funciona o processo de mudança e, quando dá tempo, a gente faz uma indução de dez, quinze minutos para a pessoa experimentar o estado de hipnose.

Com essa primeira consulta nós vamos fazer o planejamento direcionado para aquela pessoa, se ela é uma pessoa que entra em transe muito rápido e a gente sabe que resolve rápido na primeira sessão, já começa a fazer intervenção para alcançar os resultados dela. Na segunda semana ela volta, eu só faço reforçar e na terceira semana ela volta e tchau. Entre uma sessão e outra eu sempre passo exercícios para a pessoa fazer em casa, por quê? Nós aprendemos novos comportamentos de duas maneiras: a primeira maneira é por intensidade e a segunda maneira por repetição. Uma águia aprende a voar por intensidade, porque quando ela é pequena a mãe dela empurra ela do ninho, se ela não bater asas já era, então, é uma coisa intensa. Andar de bicicleta é repetição, aprender a escrever é repetição. Então, no consultório nós trabalhamos a intensidade, nós temos resultados rápidos, nós conseguimos sentir o resultado na consulta. Os exercícios que eu passo em casa são para reforçar o que é feito no consultório, é para fazer a repetição.

Eu costumo dizer que o resultado da hipnoterapia depende disso, que a pessoa precisa querer, porque quando ela quer ter resultado ela se propõe fazer os exercícios. Se for uma desculpa para o resultado, ela não vai fazer os exercícios, aí eu mesmo falo: ó, não atendo mais, por favor, você está perdendo seu tempo, está perdendo seu dinheiro e a minha estatística de sucesso está diminuindo. Então, eu particularmente, não quero trabalhar com uma pessoa que não queira melhorar e recomendo inicialmente um acompanhamento com psicólogo antes de qualquer coisa.

Luyde Gomes: Quais são os receios de um novo paciente?

Diego Wildberger: Ficar preso (risos), falar ou fazer algo contra a vontade deles, ficar surdo ou inconsciente…ahh, sei lá, que eu tenho super poder (risos!). A pessoa acha que é um poder, mas, na verdade, é inato da pessoa, mas, a pessoa não sabe disso.

Os trabalhos que a gente faz na primeira consulta, inclusive, é desmitificar esses conceitos pré-estabelecidos. Eu mostro que a pessoa não fica presa no transe, que ela sai, que pode entrar em transe de olho aberto, que pode escutar as coisas, que entra em transe diariamente, várias vezes durante o dia, quando está dirigindo, quando está tomando banho, quando está no elevador, quando está sonhando acordado, quando está apaixonado, quando saí para jantar à luz de vela e com vinho, todos os dois estão ali imaginando quinhentas mil coisas. Então, o transe é natural. Eu mostro para ela que isso acontece diariamente, a pessoa saí do transe por três motivos, ou ela entra em sono fisiológico e ela acorda como se o corpo dela estivesse descansado ou por algum incômodo no corpo. Por exemplo, algumas pessoas quando estão sentadas a cabeça tende a cair e as vezes a cervical dela começa a incomodar, nesse momento ela pode sair do transe por conta do incômodo da cervical. Quando o alerta dela, o senso critico dela, o inconsciente dela desperta. Por exemplo, você está dirigindo e você começa a pensar nas contas, nas viagens, na próxima matéria, na aula de decoração…e o carro da frente freia e você freia em cima do carro, naquele momento você volta e pensa: “Que susto! Que aconteceu? Eu ia bater o carro!” Nesse momento você estava em transe porque você não estava prestando atenção no que você estava fazendo e sua mente inconsciente, para te proteger, tira você do transe para que você possa frear o carro, ok?! Então, como preservação, como modo de sua proteção, quando uma pessoa é colocada em transe num consultório terapêutico de hipnose e é sugerido algo que vai contra os seus valores e princípios, ela sai do transe porque pode ser prejudicial.

Luyde Gomes: Se a pessoa dormir, literalmente, você tem como acordá-la?

Diego Wildberger: Tem como acordar. Algumas pessoas dormem, a gente trás elas de volta e re-induz ao transe. Já algumas pessoas parecem que estão dormindo, mas, não estão, apenas estão num transe tão profundo, tão profundo, tão relaxada …

Luyde Gomes: E você consegue perceber isso no consultório?

Diego Wildberger: Consigo, porque a pessoa dá sinal. No consultório a gente coloca uma pessoa em transe e ela fica uma hora na mesma posição. Uma pessoa que dorme uma hora ela se mexe, ela arruma posição, ela reposiciona o braço, ela abraça o travesseiro, ela se estica, ela não fica imóvel durante uma hora, uma pessoa que está em transe não faz isso. Para algumas pessoas a gente pede sinal com a mão, que a gente chama de sinal ideomotor. A gente pede um sinal de sim, um sinal de não e se há uma resposta significa que ela ou está dormindo ou não entendeu. Geralmente perguntamos: “se você estiver me ouvindo me dê um sinal com o dedo” e temos uma resposta involuntaria, como se fosse um espasmo muscular ou um reflexo.

Luyde: Então, dormindo a pessoa não vai dá esse sinal.

Diego Wildberger: Não!

Luyde Gomes: O que garante que a pessoa, depois de algum tempo, não vai voltar a ter aqueles pensamentos negativos que a conduziram ao tratamento? 

Diego Wildberger: Foi feito um condicionamento novo para ela, foi ensinado uma nova forma de pensar, uma nova forma de se ver, é como se ela visse o mundo com óculos verdes e a gente trocou por óculos vermelhos. Então, para ela voltar a ver aquilo de antes, ou ela vai precisar recondicionar o comportamento ou ela vai, aos poucos, se habituando aquilo novamente. Claro que, se você pega uma pessoa que deixou de fumar e o meio dela influencia, ou seja, todo mundo do convívio dela é fumante, a probabilidade de ela voltar a fumar é muito mais alta, do que se o convívio dela for de pessoas não fumantes.

Luyde Gomes: Então existe a probabilidade?

Diego Wildberger: Existe. Como é que a gente instala um trauma numa criança? Quando você é portátil, pequenininha, sua mãe te leva onde ela quiser. Você está na sala de casa assistindo uma televisão no meio da perna da sua mãe, aí passa uma formiguinha e você “clic”, mata a formiguinha. Sua mãe diz: “Meu filho, não pode matar formiguinha. É um bichinho de Deus”. “Tá bom, mamãe”. Um outro dia, está você no meio das pernas da sua mãe, assistindo televisão e passa uma barata, o que que ela faz? Ela dá um grito, pula para cima da cadeira, chama seu pai com um sapato “desse tamanho” para poder matar aquela barata…naquele momento, a sua mãe, que te protege, que é a pessoa que mais te ama no mundo, chama seu pai que mata um bichinho de Deus.

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Nesse momento você instala uma fobia na criança, e da mesma forma que ela foi instalada assim (estalar de dedos), ela é desinstalada assim (estalar de dedos). E ela pode ser instalada de novo?! Da mesma forma, tudo é condicionamento, são experiências vividas…são os inputs e os estímulos que nós mandamos para o nosso cérebro. Nosso cérebro não distingue o que é verdade do que é mentira. Para o cérebro, todo tipo de estímulo que a gente manda para ele, se torna verdade. Foi feita uma pesquisa na Pensilvânia em que os cientistas pegaram um grupo de pessoas e falaram: “Imagina esse copo, olha bem esse copo!”. Viram que a área do cérebro era estimulada, e então, pediram para que as pessoas fechassem os olhos e imaginassem o copo que acabaram de ver, e as mesmas áreas do cérebro foram estimuladas, apesar de não estarem não vendo o corpo físico do copo, apenas imaginando. Então eles conseguiram comprovar que o cérebro realmente não sabe o que é verdade e o que é criação na sua cabeça.

Uma pessoa que tem uma fobia cria uma imagem na cabeça, acredita naquela imagem, o cérebro dela acredita naquela imagem e o corpo dela começa a reagir como se aquela imagem fosse verdadeira, liberando hormonios e substancias que fazem você reagir, congelar ou fugir. No tratamento com hipnose a gente muda a forma que ela vê o agente fóbico, a gente coloca maior, menor, coloca longe, coloca uma roupa engraçada, aí ressingnifica a forma como ela representava aquilo.

Por exemplo, uma paciente veio de Brasília, me procurou porque tinha medo de voar de avião e eu perguntei a ela: você veio como? Ela respondeu: “Foi de avião.” Você tem medo de avião e veio de avião, como assim?! (risos) Ela veio. No consultório nós vimos que a viagem de avião dela é super tranquila, o problema era quando o piloto falava, quando ele falava ela entrava em pânico, em estado de ansiedade. O que foi que eu fiz com ela em transe? Eu dei uma sugestão do tipo: toda vez que o piloto falar no avião, você vai ouvir a voz do Pato Donald. Ela voltou para Brasília rindo. Por quê? Ela foi daqui pra Brasília e toda vez que o piloto falava ela ouvia a voz do Pato Donald. Então, a gente ressingnifica esse ponto, a gente cria uma nova imagem, um novo som, uma nova representação e com o tempo, com os exercícios de casa e repetição, vamos dessensibilizando um registro negativo prévio e criando um registro positivo mais forte.

Luyde Gomes: Você acha importante uma manutenção do tratamento ou o retorno ao consultório somente deve ocorrer se a pessoa observar que é necessário?

Diego Wildberger: Então, eu sempre acompanho o cliente, sempre peço feedback por WhatsApp, por e-mail…para ele me dizer como está se sentindo, o que ele está percebendo que mudou. Nenhum deles voltou para fazer manutenção. O retorno é: “Diego, não precisa. Eu estou me sentindo muito bem.” Claro que eu oriento, no final da sessão: oh, você vai voltar com quinze dias para vê como está e depois você volta com um mês. Mas, se a pessoa achar que não tem necessidade, ela não precisa voltar, isso significa que ela está bem e que aprendeu a utlizar os benefícios da auto-hipnose para ter uma melhor qualidade de vida.

Pergunta: Eu comprei um livro para conhecer mais sobre hipnose. Assim como eu, leigos no assunto buscam informações de auto hipnose através de livros e internet. A auto hipnose, sem acompanhamento de um profissional, pode causar algum risco?

Diego Wildberger: As técnicas de auto hipnose dadas em livros para praticarmos são dadas passo a passo e não leva a pessoa a um transe profundo, porque em auto hipnose nós não conseguimos entrar em transe muito profundo, senão a gente acaba dormindo, e isso geralmente acontece nas primeiras vezes que começamos a ouvir esses CD’s. Diferente de um consultório que a gente vai controlando se a pessoa está num transe muito profundo, se está entrando em sono fisiológico ou não. Então, na prática de auto hipnose não existe nenhum risco. O que pode acontecer é a pessoa ficar um pouco confusa ao “gelatinizar” algumas crenças…às vezes o paciente pode pensar: “Caramba! Eu estou me sentindo um pouco diferente, não sei o que aconteceu.” Ela fica um pouco mais introspectiva durante alguns momentos até aquela nova crença amadurecer.

Luyde, você está de anel? Qual é o anel que você nunca tira da mão?

Luyde Gomes: Aliança. 

Diego Wildberger: Coloca a aliança em outro dedo da mão direita.

Luyde Gomes: (Após trocar a aliança de mão) É estranhíssimo! Eu me sinto estranha demais (risos)!

Diego Wildberger: Deixa lá um pouquinho. É exatamente isso que acontece quando a pessoa pratica a auto hipnose. No primeiro momento, também no consultório terapêutico, quando a gente está trabalhando as crenças, fobias, os novos comportamentos, às vezes, ficam um pouquinho estranhos: “Tem alguma coisa estranha, não sei o que que é”.

Luyde Gomes: É estranho nos dois lados, tanto na ausência quanto na presença da aliança.

Diego Wildberger: Exatamente. E a pessoa sai do consultório: “Caramba! Tem alguma coisa diferente, mas, eu não sei dizer para você o que que é”. Aí ela dorme e o cérebro vai processando. Se você mantiver sua aliança por uma hora, uma hora e meia, já não vai estar tão estranho, porque você vai se acostumando. O condicionamento feito no consultório funciona da mesma forma, um exercício de auto hipnose funciona da mesma forma: “Eu percebo que está mudando alguma coisa, eu estou me sentindo um pouco estranha, mas eu não sei dizer o que é”. É exatamente a falta daquilo que trazia um conforto para ela e que agora já está mudando, ou já mudou.

Então, por exemplo, algumas pessoas que têm fobia, que têm medo, quando a gente consegue resolver muito rápido, elas não acreditam que não tem mais aquela fobia porque foi muito rápido. Então, a gente precisa ir testando, condicionando e ambientando elas de uma forma carinhosa, por assim dizer, para que elas se sintam seguras: “Cara, isso aqui, realmente, não faz mal nenhum”. Com rato é fácil de fazer, dentista é fácil de fazer, escada rolante, elevador é fácil de fazer. O que é mais difícil? Você fazer isso com avião, por exemplo, pois a pessoa vem para o consultório, você trabalha o medo de avião dela e como é que você testa? Como é que você ambienta ela com um avião? Aí, você já leva um pouco mais de tempo, não é impossível trabalhar na mesma velocidade que uma fobia de rato, barata…leva um pouco mais de tempo para a ficha da pessoa cair: “Cara, realmente não tenho mais medo disso”.

Luyde Gomes: Entendo. A pessoa pode precisar aguardar meses para testar o tratamento.

Diego Wildberger: E ela vai ficar criando expectativa para o futuro: “Cara, será que eu, realmente, não tenho mais medo?” Por que, imagina você perder o celular, você logo pensa: “Caramba, não posso nem me imaginar sem celular. Eu sair sem celular de casa é a mesma coisa que sair sem roupa.” Então, fica faltando alguma coisa e é muito estranho. É mais ou menos assim com fobias, com comportamentos, com vícios, a pessoa que parou de fumar ela vai sentir falta de alguma coisa, a pessoa que deixou de tomar Coca-Cola ela vai sentir falta da Coca-Cola. Então, a gente tem que criar condicionamentos novos, sados, aumentar a ingestão de água, com uma salada, com suco, com uma atividade física, prática frequente de auto-hipnose, para substituir aquela falta que o refrigerante e o cigarro vão fazer, por exemplo.

Luyde Gomes: Qual a sua opinião sobre a hipnose de palco, de entretenimento? Alguns defendem, já outros são contra.

Diego Wildberger: Desde que seja esclarecido o que será feito e o propósito daquilo, não tenho nada contra. A questão é que às vezes a pessoa não fala isso, não especifica quando realiza uma hipnose de palco e faz uma demonstração de hipnose que você generaliza para tudo. Então, às vezes acaba fortalecendo os mitos e enfraquecendo a hipnose clínica. Alguns falam a “hipnose séria”, eu não gosto de falar “hipnose séria”, eu gosto de falar hipnose clínica. Aqui, não tem relação com palco, com hipnose de rua, apesar das técnicas da clínica serem utilizadas nas ruas e no palco. Desde que seja esclarecido: “Estamos aqui para fazer uma brincadeira, para fazer um show, para as pessoas se divertirem, darem risada, se descontraírem…” Não tem problema nenhum. Tipo: “Isso aqui não tem relação nenhuma com hipnose clínica, hipnose clínica é uma coisa, hipnose de rua e de palco é outra coisa.” Eu não tenho nada contra.

Luyde Gomes: Existe algum conselho de ética?

Diego Wildberger: O conselho de medicina, odontologia, psicologia, fisioterapia aprovam a utilização da hipnose pelos profissionais, mas para o hipnoterapeuta específico não existe um conselho aqui no Brasil. Nos Estados Unidos existem conselhos de hipnose, na Inglaterra existe conselhos de hipnose. Por todo lugar do mundo existem associações: associação brasileira de hipnose, associação portuguesa de hipnose, associação americana…mas, conselho mesmo de hipnose eu conheço o americano. É o conselho americano de hipnoterapia e o inglês….se não me engano, na Inglaterra também tem. Nenhum outro lugar do mundo eu ouvi falar. Então, não tem nada que regulamente a profissão do hipnoterapeuta no Brasil. No meu caso, tenho um CRT, que é a Carteira de Terapeuta Holístico Credenciado do Conselho de Auto Regulamentação da Terapia Holística, onde a terapia holística envolve hipnose, massoterapia, homeopatia, acupuntura, laser e por aí vai…florais de Bach…mas, específico da hipnose, não tem.

Luyde Gomes: Como o Cafuné da Bahia é um blog baiano, gostaria de saber algo mais específico. Na Bahia existe o sincretismo religioso e o Candomblé é muito forte. As crenças e a prática de rituais religiosos, como no Candomblé, podem interferir na técnica de hipnose? Isto é, existe a possibilidade da religião e hipnose “não casarem” (risos)?

Diego Wildberger: Não, porque eu tenho pacientes que são do Candomblé, que frequentam, que têm lojas que vendem artigos de Candomblé. Já atendi algumas Mãe de Santo, Pai de Santo. Dentro do consultório terapêutico não envolvo religião, porém, tudo que seja, qualquer tipo de religião, em qualquer tipo de ritual, existe um transe presente, ok?! Esse é o problema do termo hipnose, porque a gente pensa que o transe de hipnose é um transe específico e na verdade ele não é, é um transe geral. Quando a gente fala transe, estado alterado de consciência, é o mesmo transe que acontece num consultório terapêutico. Na religião acontece um transe voltado para uma religião específica, para um ritual específico, para favorecer os participantes daquela religião. No consultório o transe é utilizado para alcançar um objetivo específico e promover as mudanças que o cliente busca.

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Luyde Gomes: Vamos falar um pouquinho do Diego. Como você chegou na hipnose? Foi antes, durante ou depois da Odontologia?

Diego Wildberger: Foi durante. Faltavam dois ou três semestres para eu terminar a faculdade e o curso de Psicologia levou um profissional para falar de hipnose, e eu pensei: “Cara eu vou assistir isso porque é um tema interessante, eu quero fazer meus amigos comerem cebola, eu quero enfiar agulha nos meus amigos, eu quero fazer a galera imitar galinha.”… Foi para isso que eu fui (risos). Quando eu cheguei lá, ouvi falar dessa vertente clínica que eu nunca ouvi ninguém falar antes, que é ajudar as pessoas com fobia, ansiedade, com depressão, com traumas, e pensei: “Cara, isso é legal!”. A quantidade de pessoas que tem medo de dentista, que vai para o dentista e trava na cadeira, fica ansioso, desmaia, a pressão sobe.

Luyde Gomes: E alguns nem vão…

Diego Wildberger: E alguns nem vão. O paciente fóbico real de dentista, o dentista nunca conheceu, porque ele pensa em fazer o tratamento e antes de chegar ao consultório ele já desiste. Então, foi nesse momento que eu percebi que tem tanta gente com medo do dentista, tanta gente com medo de agulha, sangue, anestesia…por que não utilizar essas técnicas para ajudar essas pessoas? Aí eu comecei a estudar a hipnose clinica, a hipnose para usar no consultório, para ajudar essas pessoas que tem medo do dentista, ansiedade, medo de agulha, medo de arrancar um dente, medo de tomar anestesia, medo de sentir dor, e depois no consultório odontológico eu pensei: “Caramba, tem tanta gente com outros medos, por que não usar essas mesmas técnicas para ajudar outras pessoas?”

A técnica da pessoa que tem medo de dentista é a mesma técnica da pessoa que tem medo de barata. A técnica é a mesma, o que muda são as pessoas e os agentes fóbicos. A gente tem que encaixar a técnica naquela pessoa. A mesma técnica que eu utilizo para a pessoa que sofre de ansiedade no consultório odontológico, eu posso utilizar numa pessoa que sofre de ansiedade numa entrevista de emprego, para fazer um vestibular, para fazer uma viagem, por que não? Depois eu comecei a estudar a hipnose para o controle da dor, para a anestesia, para a realização de cirurgias. O meu vídeo, que tem na internet, eu ainda estava na faculdade quando fiz. Foi minha primeira cirurgia com a hipnose. Eu estudei, procurei artigos, estudei as técnicas e apliquei com uma colega que tinha medo de dentista.

Luyde Gomes: Ficou com receio de fazer ou foi tranquilo?

Diego Wildberger: Não, foi tranquilo. A dificuldade é que sozinho eu tenho que prestar atenção, ficar muito atento no que eu estou fazendo com a hipnose, manter o transe e tenho que estar muito atento à técnica cirúrgica. Então, dá mais trabalho, é mais cansativo para mim, porque eu tenho que ficar pensando nas duas coisas.

Luyde Gomes: Fisicamente e mentalmente?

Diego Wildberger: É mais mentalmente do que fisicamente. O ideal é que a gente tenha um profissional atendendo o paciente, no caso da Odontologia ou da Medicina, e alguém sustentando o transe para que aquela pessoa fique relaxada, sem problema algum, porque fazer os dois, ao mesmo tempo, dá trabalho.

Luyde Gomes: Você consegue imaginar o Dr. Diego sem a hipnose e o Hipnólogo Diego sem a Odontologia? Ou ambos já estão tão casados em sua vida que não dá mais para separar? É um casamento eterno?

Diego Wildberger: Diego sem hipnose não deixa de existir porque a hipnose é natural, a não ser que eu morra (risos). O Diego, pessoa, sem hipnose não existe porque eu utilizo as mesmas técnicas que eu passo para meus pacientes e clientes, em mim. Utilizo técnica para melhorar meu humor, para melhorar meu desenvolvimento, para melhorar minha concentração, para melhorar meu foco, para melhorar meus relacionamentos…eu utilizo as mesmas técnicas comigo. Então, se traz benefícios para minha vida, se é uma coisa boa para mim, porque eu deixaria de usar, né?!

Quanto ao Diego dentista, também não. É muito difícil eu me ver como dentista sem a hipnose. No consultório leva um pouco mais de tempo com alguns pacientes. Às vezes eu preciso desprender um pouco mais de tempo para condicionar um paciente…uma, duas, três sessões. Depois que ele já estiver condicionado, sem a fobia, sem o medo dele, eu não perco mais tempo. É o mesmo tempo que um paciente comum levaria. Então, eu não me vejo sem, principalmente depois de ver os benefícios que a hipnose traz para o sistema imunológico do paciente.

Se a gente está depressivo, se a gente está triste, a eficácia do nosso sistema imunológico cai e a possibilidade de desenvolver um câncer, um tumor é muito mais alta. A probabilidade disso acontecer em uma pessoa depressiva, na pessoa triste, na pessoa que perdeu um ente querido, perdeu um trabalho, perdeu um emprego, se aposentou…é muito mais alta. Uma pessoa mais feliz, de bem com a vida, que está no controle da situação, o sistema imunológico dela é mais fortalecido. Então, a gente pode ajudar essas pessoas através da hipnose. Eu não me vejo dentista sem a hipnose. Os benefícios clínicos da hipnose na Odontologia e na área médica são muito grandes.

Luyde Gomes: Se alguém estiver lendo esse cafuné  (post) no blog e se interesse, não apenas em fazer um tratamento, mas, em ser um Hipnólogo, quais são os pré-requisitos?

Diego Wildberger: Primeiro querer, depois estudar muito. Nós estamos trazendo alguns cursos para Salvador, já tem uns dois anos que eu faço parte de um grupo chamado Instituto Imyself, que sou eu, o Sandro e o Weberson. Nós organizamos cursos com alguns profissionais convidados de fora (São Paulo, Porto Alegre) e trazemos para dar cursos aqui em Salvador, com valores muito mais baixos (pois o aluno não tem custo de hospedagem e passagem) que seriam por lá.

A gente sempre recomenda que a pessoa que quer atuar tenha pelo menos duzentas horas de curso. Como a gente não tem um conselho que regulamente isso (infelizmente), a gente sempre fala com nossos alunos, para que tenham pelo menos duzentas ou duzentas e cinquenta horas de curso antes de começar a atender.

Vai atender?! Comece a atender de graça para você adquirir experiência, habilidade clinica e saber o que que vai fazer. A gente tem um grupo de estudo onde a gente procura discutir os casos clínicos quando um aluno tem dúvida. Ele também pode procurar a gente diretamente pelo Facebook, pelo celular, pelo e-mail. Claro que sempre buscamos respeitar a privacidade do paciente, não falar nomes…a gente fala do caso clínico, da intervenção que está sendo feita e vemos o que é sugerido no grupo.

Luyde Gomes: Então, pessoas interessadas podem procurar vocês?

Diego Wildberger: Podem procurar, pois estamos sempre dando cursos aqui em Salvador. É querer e estudar. Infelizmente o investimento para hipnose aqui no Brasil é muito alto. Aqui em Salvador conseguimos trazer valores mais acessíveis, mas, por exemplo, se a gente quiser ter cursos mais diferenciados, com pessoas que venham da Alemanha, Estados Unidos, Europa…para São Paulo estamos falando de um final de semana de cinco mil reais, quatro mil reais, em dois dias, e que não te dá carga horária para atuar.

Infelizmente, isso ainda pega muito pra gente. O investimento é muito alto! Os livros também são muito caros! Aqui no Brasil nós não encontramos muitos livros relacionados à hipnose clínica, a gente encontra mais nos Estados Unidos e Europa e para trazer para cá a gente paga em dólar e o dólar está quatro reais (risos). Então, é caro!

Luyde Gomes: Qual mensagem você gostaria de deixar para as pessoas que estão envolvidas nos mitos da hipnose, nos receios de procurar, mas, que gostariam de tratar uma fobia ou ansiedade?

Diego Wildberger: Procure conhecer a hipnose e se permita! Procure um profissional capacitado, sério, que se preocupe em ajudar o outro. As hashtags que eu sempre uso: #AjudarPessoas e #SorriaMais. Procure um profissional ético, idôneo, que ajuda as pessoas, que está sempre se capacitando, está sempre estudando e se mantendo atualizado.

Nós sempre fazemos cursos de oito horas, aqui em Salvador, parar mostrar para essas pessoas o que é hipnose, os benefícios da hipnose, desmistificar a hipnose e permitir que ela passe oito horas no dia dela praticando hipnose…ela com ela mesma, ela com um colega de curso. Esse curso é aberto para todo mundo, desde curiosos, desde profissionais que apenas querem conhecer o assunto. Ou faz igual a você: compra um livro e dá uma lida para ver o que é (risos).

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P.S.: Abaixo, seguem informações detalhadas para que você possa agendar sua consulta.

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Fonte da matéria original: Blog Cafuné da Bahia

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